quarta-feira, 9 de março de 2011

Um beijo roubado...


Mesmo depois de quase 15 anos de casada e com filhos, ela ainda mantinha guardado em silêncio o seu amor adolescente. Cultivava uma espécie de vingança pelas duas partes: pelo marido que em algum momento do casamento a fez sofrer muito com suas traições e pelo namorado de adolescência que deixou tudo mal resolvido quando não quis mais ficar com ela num momento em que estava completamente apaixonada por ele. Ficava imaginando que de uma só vez poderia se vingar dos dois: traindo o marido com alguém que ele sabia da história e que discretamente morria de ciúmes e fazer com que o antigo namorado ficasse doido com ela após a primeira transa e então a situação estaria invertida. Porém na prática era tudo diferente, lhe faltava coragem e oportunidade para realizar seu plano e ainda tinha que deixar os dois filhos com alguém, sem despertar nenhuma suspeita. Por várias vezes ela entrou em contato com ele pra tentarem um encontro, mas ele sempre se manteve firme. Às vezes até dava uma amolecida, mas logo em seguida ele voltava à sua postura de homem sério, casado e com duas filhas. Aquela situação era terrível pra ela. Quando pensava que estava próximo o dia de sua vingança, voltava tudo pra estaca zero. Mas num dia em que precisou deixar as crianças com algúem pra resolver uns problemas, surgiu a tão esperada oportunidade. Como na outra vez que foi resolver o mesmo problema demorou muito e chegou tarde em casa, porque não acontecer novamente a mesma coisa? Essa foi a desculpa!
Resolveu tudo o que tinha pra resolver rapidamente e então veio a vontade de ligar pra ele, já que seu trabalho era bem pertinho de onde ela estava. Então se encheu de coragem e ligou. Conseguiram se falar e ele a pediu que o esperasse só uns minutinhos que já estava indo pra vê-la. Na verdade ela até se surpreendeu com atitude dele em aceitar logo o encontro. Esses minutinhos passaram como horas. Muito nervosa com a situação que até então só era concretizada em sua cabeça, mas que na prática, estava morrendo de medo do que pudesse acontecer a partir daquele momento. Contudo, não poderia escapar a oportunidade que estava na sua frente. Ok, ele chegou! E agora? O que fazer? As mãos tremiam e suavam como na adolescência. Apesar de já ter passado 15 anos, ela se sentia como naquela época. Era, ao mesmo tempo, uma sensação de medo e de felicidade. Mas agora já era, tinha que ir em frente. Eles se comprimentaram sem nenhum beijo, entraram no carro dele e nesse momento que ela gelou completamente. Aos poucos o papo foi rolando e então ela conseguiu relaxar. Ela contou algumas coisas que lhe tinham acontecido durante o período que estava com seu marido, ele, muito reservado, comentou pouquíssimos coisas sobre sua vida. Num momento em que já estava mais descontraída e pensou que se já estava ali então teria que tirar proveito de alguma coisa, não saberia quando poderiam estar juntos novamente, pediu pra que ele a deixasse fazer algo que há muito tempo tinha vontade e ele surpreso, disse que tudo bem.  Essa foi a oportunidade, virou seu rosto e lhe roubou um beijo. Ele ficou completamente atônito, talvez não esperasse que ela iria fazer isso e num sorriso sem graça, ainda pasmo com a atitude dela, comentou que tinha sido roubado. Parecia coisa de criança! Mas era assim mesmo que ela se sentia, com aproximadamente 15 anos à menos. Dessa forma a descontração tomou conta dos dois que começaram a conversar um pouco mais abertos. Todavia, ela ainda não tinha a coragem suficiente pra transar com ele naquele momento. A vergonha ainda lhe tomava conta. No papo ele bem que disse que a "sequestraria" e só a devolveria no dia seguinte, mas ela o implorou que não fizesse. Então veio uma pergunta fatal que a pegou totalmente de surpresa, se ela separaria do marido pra ficar com ele. Era uma bomba na sua cabeça! Nunca imaginou que ele pensasse isso. Será que ele também seria capaz de fazer o mesmo? Porque isso agora depois de quase 15 anos e não antes quando ela queria de qualquer jeito ficar com ele? E que numa desculpa(ou verdade mesmo) de que tinha uma noiva e que ela estava grávida não poderiam ficar juntos? Mexeu muito com seu pensamentos. Mas sem dúvida nenhuma ela respondeu que NÃO. Não era certo modificarem suas vidas agora, de uma hora pra outra. Talvez, quem sabe, algum dia caso ocorra uma separação. O que ela queria mesmo era apenas uma vingancinha pra fortalecer seu ego. Na verdade essa pergunta foi extremamente maravilhosa para seus ouvidos, quem sabe o primeiro passo de seu plano estava dado. Tinha vontade de aproveitar todo segundo que passavam juntos, mas esbarrava na vergonha. Nunca em seus quase 15 anos de casamento tinha encostado em outro homem, beijado outra boca, era tudo diferente e ao mesmo tempo delicioso. Chegando próximo da casa dela, pararam o carro e depois de sua negativa quanto em separar do marido pra ficarem juntos, que talvez tenha sido como um balde de água fria em sua cabeça, ele ficou um pouco distante, mas mesmo assim ela não perdeu a oportunidade e novamente o beijou. Só que desta vez sem surpresa, com mais intensidade. Ao mesmo tempo que tinha medo, ela queria mais. Na verdade queria que ele a agarrasse e realmente rolasse algo mais que apenas um beijo. Pois já era tarde e ficou somente no beijo mesmo. Apesar de ter sido apenas uma carona com um beijo roubado, ela se sentia, de certa forma, um pouco vingada do marido que sempre achou que ela nunca teria coragem pra tal ato. Valeu a pena! Seu ego estava novamente cheio e sua auto-estima super elevada por saber que ainda é capaz de despertar desejo no homem que um dia foi seu namoradinho de adolecente e que hoje a quer como mulher.

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