quarta-feira, 23 de março de 2011

História da celulite: um dia ela foi símbolo de status.

Não há como negar que todas as mulheres tem celulite, menos ou mais, pois é impossível resistir às turbulências hormonais e à baixa qualidade do nível de vida, representada pela má alimentação, falta de exercícios, estresse e competição selvagem no mercado de trabalho.Tecnicamente falando, a celulite é uma alteração que ocorre no tecido subcutâneo em virtude de duas causas principais: deficiência de colágeno e inflamações nas células adiposas. Ou seja, celulite é o resultado da má circulação de sangue nos tecidos localizados abaixo da pele.

A face visível da celulite se dá através do efeito “casca de laranja” em várias partes de corpo, principalmente nas pernas. Ora, num mundo em que o corpo desnudo é um salvo-conduto para o sucesso, possuir celulite é uma maneira de dar com o nariz na porta fechada do glamour e da elegância, principalmente em ambientes de quase nenhuma roupa, ou roupa alguma.

Todavia, nem sempre a celulite foi o terror das mulheres, pois há mais de um século chegou a ser considerada um sinal de saúde, status social e apelo sexual. As rugosidades nas zonas erógenas denotavam a vida boa que suas portadoras levavam, que comiam alimentos sofisticados, tomavam excelentes bebidas e não precisavam se submeter a extenuantes trabalhos braçais, pois tinham à sua disposição a criadagem a lhes satisfazer os mínimos desejos.




William Etty-King of Lydia Shows his Wife
William Etty – Kandaules, Rei da Lídia, mostra sua esposa em segredo a Gyges, um de seus ministros.

 
Criou-se assim durante a era Vitoriana e séculos anteriores um vínculo estreito entre a celulite e o status social elevado. Naquele tempo as damas da sociedade se orgulhavam de aparecer nas pinturas ostentando dobrinhas e irregularidades. Imaginemos no mundo de hoje em que ricas e célebres fizessem questão de exibir publicamente estrias e celulites em sinal de Sex Appeal?

 
Pieter Paul Rubens - As três graças
Pieter Paul Rubens - As três graças.

 
Ter ou não ter celulite, longe de pertencer a uma estética imutável, faz parte de um contexto cultural que muda ao longo do tempo. Isto quer dizer que, passado os insanos tempos atuais de progressiva artificialização do corpo feminino, entraremos numa nova era de culto à beleza natural. E os novos tempos já começam a dar os ares da sua graça, pois cresce a cada dia o gosto pelas mulheres isentas de artificialismos.
Jacob Jordaens - The Wife of King Kandaules
Jacob Jordaens – A esposa do Rei Kandaules, retratada na mesma cena da obra de William Etty.

E parece que a Juliana Paes já se integrou a este esforço... pois mesmo tendo celulite, continua naturalmente linda e desejável.

Um comentário:

  1. Adorei seu texto! Voce escreve muitissimo bem! Só não concordo com a conclusão, sobre estarmos entrando numa era em que a beleza passa a ser valorizada em sua forma mais natural. Penso justamente o contrário, que o padrão de beleza atual e futuro caminha rumo à completa artificialidade, numa linha mais pós-humana, eu diria.
    Lipoescultura, silicone nos seios, silicone no gluteo, botox, preenchimento, drenagem linfática, massagem modeladora, manthus, cremes anti-celulite, carboxiterapia, etc, etc, etc... não acaba nunca!
    Eu aposto todas as minhas fichas que se Juliana Paes visitasse seu blog, morreria de vergonha da foto que voce postou (atitude bem diferente das damas antigas, que se orgulhavam do seu corpo roliço!).

    beijo

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